sexta-feira, 15 de junho de 2007


É tão frio e vago este peso que me puxa para uma estrada com bermas de espinhos… não me quero deitar e adormecer iludindo-me num sonho, pois a minha visão não alcança o que o meu pensamento atinge, e rodopia nas voltas de um coração que finge que um dia entre mim e a Humanidade houve uma aliança…
Está vazio mas cheio de mágoa, solidão, desespero e talvez loucura que se apoderam de mim enquanto uma pequena fracção de racionalidade me mantém de pé.
As forças esgotam-se e o ar escapa-se por entre umas mãos cansadas de transportar a minha frustração para um pedaço insignificante de papel. Alivia-me o espírito e a alma suja.
Agora penso com indignação, que mundo foi este em que nasci? Será este reinado de destruição e futilidade o espelho daquilo que somos? Foi isto que o Homem criou à sua imagem e semelhança? Só sei que tenho vergonha de viver aqui e tenho medo que esta sociedade me mate algum do espírito e moral que me resta…